Um levantamento inédito da Fundação do Câncer revela que o número de diagnósticos de câncer colorretal no Brasil deve crescer 21% entre 2030 e 2040. O aumento está associado ao envelhecimento da população, à baixa adesão a hábitos saudáveis e à falta de um programa estruturado de rastreamento da doença.
Ausência de rastreamento dificulta diagnóstico precoce
Diferentemente de países como Estados Unidos e algumas nações europeias, onde a colonoscopia é recomendada regularmente a partir dos 50 anos para indivíduos assintomáticos, o Brasil ainda não conta com um protocolo nacional para a detecção precoce da doença. Segundo o epidemiologista Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, a implementação de um sistema organizado de rastreamento poderia reduzir consideravelmente a mortalidade.
Crescimento regional dos casos e grupo etário mais afetado
A pesquisa mostra que a faixa etária acima dos 50 anos continuará sendo a mais impactada, representando 88% dos casos projetados para 2040. Já entre os mais jovens, com menos de 49 anos, a incidência deve se manter estável.
Além disso, a distribuição geográfica dos novos casos não será homogênea. As regiões Centro-Oeste e Norte terão os maiores aumentos percentuais, com crescimento de 32,7% e 31,13%, respectivamente. Apesar do menor aumento proporcional (18%), o Sudeste continuará liderando em números absolutos, com estimativa de 38.210 novos diagnósticos em 2040.
Desafios na prevenção e importância da conscientização
O estudo destaca a necessidade urgente de aprimorar estratégias de prevenção e rastreamento. Atualmente, exames como a colonoscopia e a pesquisa de sangue oculto nas fezes são fundamentais para detectar a doença precocemente, mas a falta de infraestrutura adequada e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde dificultam a adesão da população.
Adotar hábitos saudáveis também desempenha um papel crucial na prevenção do câncer colorretal. Especialistas recomendam:
- Manter uma alimentação equilibrada
- Praticar atividades físicas regularmente
- Evitar o consumo excessivo de carnes processadas
- Controlar o peso
- Não fumar
Para Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, é essencial investir em políticas públicas que garantam o acesso ao rastreamento e tratamento adequados. “Além das políticas de saúde, é fundamental educar a população sobre os fatores de risco e incentivar mudanças de hábitos que possam prevenir a doença”, reforça.
Com projeções preocupantes para as próximas décadas, especialistas alertam para a necessidade de medidas urgentes a fim de evitar um crescimento ainda maior dos casos de câncer colorretal no Brasil.
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